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sábado, 2 de novembro de 2013

Elefantes podem sumir, alerta craque do Manchester City


Elefante anda pelo parque nacional de Amboseli, em Nairóbi.
O volante marfinense Yaya Touré, do Manchester City, eleito melhor jogador africano do ano, alertou que o massacre de elefantes provocado pelo comércio de marfim ameaça a existência do maior mamífero terrestre.

"A caça ilegal ameaça a própria existência do elefante africano e se não agirmos agora, poderemos estar diante de um futuro em que esta espécie icônica terá desaparecido", disse Touré a jornalistas, ao ser nomeado embaixador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

"A seleção da Costa do Marfim é chamada de ´Os Elefantes´ em homenagem a essas criaturas magníficas que são cheias de poder e graça. No entanto, só no meu país devem restar apenas uns 800" animais, acrescentou o craque.

Falando na sede do Pnuma em Nairóbi, capital do Quênia, Touré afirmou que deseja combater o comércio ilegal de marfim que leva à caça ilegal de milhares de elefantes por ano.

Segundo o Pnuma, a caça proibida tem disparado nos últimos anos na África e o comércio ilegal de marfil triplicou desde 1998.

As apreensões em larga escala de marfim com destino à Ásia mais que dobraram desde 2009 e alcançaram um recorde absoluto em 2011, prosseguiu o organismo.

O comércio de marfim é proibido, segundo a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas (CITES).

A África hoje abriga um número de elefantes estimado em 472.000 animais, que têm dua sobrevivência ameaçada tanto pela caça ilegal quanto pela expansão das populações e pela crescente urbanização que invade seus hábitats naturais.

O comércio ilegal de marfim, um negócio estimado em 10 bilhões de dólares ao ano, é alimentado principalmente pela demanda da Ásia e do Oriente Médio.

As presas de elefantes são usadas para fazer adornos, enquanto os chifres de rinocerontes são usados na medicina tradicional.
AFP

sábado, 2 de novembro de 2013

Snowden pode depor na Rússia, mas prefere EUA

O deputado do Partido Verde alemão Hans-Christian Ströbele.
O ex-consultor da inteligência americana Edward Snowden, refugiado na Rússia, poderá depor diante de promotores alemães no caso da interceptação no celular da chanceler alemã, Angela Merkel, mas prefere testemunhar no Congresso americano, anunciaram nesta sexta-feira seu advogado e um deputado alemão.


Procurado por Washington após suas revelações sobre a Agência de Segurança nacional (NSA) americana, Snowden não poderá ir à Alemanha sob o risco de perder seu status de refugiado, mas pode testemunhar sem deixar a Rússia, explicou seu advogado, Anatoli Kucherena. 

"Dentro dos acordos internacionais, Snowden pode dar testemunho na Rússia, mas são as autoridades alemães que devem decidir. Snowden não irá à Alemanha. É impossível porque não tem direito de cruzar a fronteira. Se o fizer, pode perder seu status de refugiado", declarou Kutcherena à rádio Echo de Moscou. 

Já o deputado alemão Hans-Christian Ströbele declarou que Snowden "prefere testemunhar no Congresso americano", no dia seguinte a um encontro com o fugitivo na Rússia. 

Edward Snowden "não se apresentou a mim como um anti-americano ou um inimigo da América, pelo contrário", afirmou. 

Ele prefere depor ante uma comissão do Congresso americano para "colocar os fatos sobre a mesa e dar explicações", acrescentou o político. 

Snowden também garantiu estar pronto para testemunhar no Parlamento alemão, segundo Ströbele. 

O ministro alemão do Interior, Hans-Peter Friedrich, também indicou nesta sexta que Berlim está "pronto para ouvir" o americano. 

Uma fonte ligada ao caso e citada pela agência Interfax indicou que o Ministério Público alemão "poderá enviar à Rússia seus representantes ou enviar a Snowden questões por escrito". 

Segundo o gabinete do deputado Strobele, que publicou uma foto do encontro, Snowden entregou uma carta endereçada ao governo alemão, ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) e ao Ministério Público. 

"Estou certo de que com o apoio da comunidade internacional, o governo americano vai parar de fazer besteira", escreveu na carta. 

"Espero ansiosamente para falar com vocês em seu país quando a situação estiver resolvida", acrescentou Snowden. 

Nos últimos meses, Snowden fez uma série de revelações sobre a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, para a qual prestava serviços. Ele foi acusado de espionagem por Washington, que solicita a sua extradição. 

Essas revelações provocaram fortes reações na Europa, principalmente na Alemanha, onde as informações sobre o suposto grampo do celular da chanceler Angela Merkel causaram surpresa. 

"Snowden mostrou que sabe muitas coisas. Está disposto, a princípio, a esclarecer esses casos", afirmou Stroebele ao principal canal de TV alemão, ARD. 

"Snowden está disposto a cooperar com todos, não há proibição. Ele próprio decide com quem se comunica, e quando", ressaltou Kucherena, citado pela agência Interfax. 

O Kremlin não quis fazer comentários a esse respeito, embora Putin tenha imposto como condição para que Snowden permanecesse no país o fim de suas revelações "prejudiciais aos Estados Unidos". 

"Não é uma questão relevante para o Kremlin", declarou o porta-voz do presidente, Dmitry Peskov. 

Procurado pela AFP, o analista independente Pavel Felgenhauer considerou que o fugitivo americano está sendo controlado pelos serviços especiais russos e que sua margem de manobra é limitada pelo Kremlin. 

"Cabe a Putin decidir o que Snowden tem o direito de dizer. Ele pediu para Snowden não prejudicar os Estados Unidos, mas só Putin sabe quais são os parâmetros", acredita. 

"Esta condição não é juridicamente vinculante e pode ser revista à luz da situação política", acrescenta. 

Segundo o seu advogado, Snowden encontrou um emprego e deve começar a trabalhar a partir desta sexta na manutenção de um importante site, cujo nome não foi revelado. 

O porta-voz da rede social russa Vkontakte, cujo fundador Pavel Dourov ofereceu emprego a Snowden em agosto, não quis comentar esta notícia. 

Em uma entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung a ser publicada sábado, Snowden declarou que não lamenta as revelações, mas revelou que o que mais custava a ele era "não poder manter contato regular com a sua família e amigos". 

Consultado sobre o porquê de não comentar o conteúdo dos documentos vazados da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana, ele respondeu que "cabe aos jornalistas e especialistas fazer seus próprios julgamentos". 

Ele rejeitou as acusações segundo as quais tinha a intenção de prejudicar o governo americano. "O que ajuda a opinião pública nos Estados Unidos e em outros países também ajuda o governo dos Estados Unidos", declarou.
AFP

Avanços no tratamento da hepatite C no Brasil em congresso nos EUA

No Brasil, há de 2 milhões a 3 milhões de casos de hepatite C.
Por Cristina Indio do Brasil

Os bons resultados do tratamento de pacientes que sofrem de hepatite C com os inibidores da enzima protease é um dos temas que médicos especialistas na doença discutem no 64° Congresso da Associação Americana de Estudo das Doenças do Fígado, em Washington, nos Estados Unidos. O Brasil está incluído nos estudos e há pacientes atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS) recebendo os medicamentos.

´A chance de cura dos pacientes no Brasil hoje é um fato real, não é mais uma expectativa´, destacou o infectologista responsável pelo Ambulatório de HIV e Hepatites Virais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Abrão.

Segundo o especialista, será apresentado no encontro um trabalho feito com quase 2.000 pacientes. Desses, cerca de 120 são brasileiros que utilizam, entre as medicações, o telaprevir. ´Nesse trabalho vai ser mostrado que, no mesmo perfil de pacientes que a gente trata no SUS no Brasil, que são os com cirrose e fibrose 3 e 4, a chance de cura é altíssima, gira em torno de 70%. Esse trabalho vai ser mostrado corroborando as ações que os especialistas que trabalham no SUS implementaram´, ressaltou Abrão.

O médico explicou que atualmente, em todo o mundo, cerca de 170 milhões de pessoas têm hepatite C. No Brasil, há de 2 milhões a 3 milhões de casos. Muitos nem sabem que têm a doença, porque não houve o diagnóstico. O especialista acrescentou que, no Brasil, os pacientes em estado mais grave recebem, nos 130 centros de atendimento existentes no país, quatro medicamentos no tratamento da hepatite. ´Além desses medicamentos que o Brasil já incorporou, estão vindo outros que vão permitir a erradicação da hepatite C no país. Estamos na vanguarda´, disse, ao acrescentar que o Brasil é um dos países mais avançados em termos de saúde pública e acesso às medicações.

Paulo Abrão informou que a evolução do tratamento caminha para a incorporação de novos medicamentos que também serão oferecidos no Brasil. ´O que vai acontecer é que nos próximos anos essas medicações que estão dominando as pesquisas vão ser incorporadas nos Estados Unidos e Europa e em seguida devem chegar ao Brasil. O futuro é para todos os países desenvolvidos e os emergentes. Esperamos em cinco anos poder curar mais de 95% dos pacientes com hepatite C´, completou.

O médico chamou a atenção ainda para a importância das discussões que vão ocorrer no congresso em Washington sobre a esteato-hepatite, conhecida como doença gordurosa do fígado. Ele explicou que, com o avanço da obesidade no Brasil, essa é uma preocupação dos especialistas. ´Como na população a obesidade tem sido cada vez mais frequente, a gordura também se concentra no fígado e às vezes pode levar o paciente também à cirrose´, esclareceu.

De acordo com o especialista, ainda não há um medicamento específico para combater essa doença, mas o começo do tratamento é redução do peso. ´Hoje sabemos que esse indivíduo tem que perder peso, fazer atividade física, ter dieta saudável e talvez usar alguns medicamentos que estão sendo estudados, para reduzir o nível de gordura no fígado. No congresso, vão ser apresentados vários estudos sobre a doença. Já tem atendimento para esse tipo de paciente no SUS, embora o tratamento ainda esteja em estudo, mesmo nos Estados Unidos e na Europa não existe nada disponível ainda´, disse.

O 64° Congresso da Associação Americana de Estudo das Doenças do Fígado começou nesta sexta-feira (1°) e termina na terça-feira (5).
Agência Brasil

Relatório questiona se a sustentabilidade é possível

O documento reúne uma coletânea de artigos de renomados pesquisadores.

A sustentabilidade ainda é possível? E, por falar nisso, existe alguma forma de ampliar a discussão sobre essa palavrinha tão distorcida atualmente, usada muitas vezes para adjetivar práticas que não têm nada (ou bem pouco) de sustentáveis? Esses são alguns dos principais questionamentos do relatório Estado do Mundo 2013 - a sustentabilidade ainda é possível?, que foi lançado em São Paulo pelo Worldwatch Institute Brasil (WWI).

O documento, que é publicado pelo WWI anualmente desde 1984, reúne uma coletânea de artigos de renomados pesquisadores e líderes do campo da sustentabilidade, como Pavan Sukhdev, Annie Leonard e Robert Engelman. 

"Vivemos hoje na era do blablablá da sustentabilidade, uma profusão cacofônica de usos da palavra sustentável para se referir a qualquer coisa entre ´melhor para o meio ambiente´ e ´descolado´. Hoje, o termo sustentável é com frequência adotado por empresas em comportamento frequentemente denominado greenwashing", critica Engelman no artigo Além do blablablá da sustentabilidade.

Para ele, o uso excessivo das palavras sustentável e sustentabilidade perde sentido e impacto. "Nos leva a crença sonhadora de que todos nós - e tudo o que fazemos, compramos e usamos - somos capazes de durar para sempre, mundo sem fim, amém. Dificilmente esta é a realidade", ressalta.

Para Engelman, precisamos "desesperadamente" - e já "estamos ficando sem tempo" - aprender a mudar nossa direção rumo à segurança para nós, nossos descendentes e para as outras espécies que são nossas únicas companheiras conhecidas no universo.

"E, enquanto enfrentamos essas difíceis tarefas, também precisamos preparar a esfera social para um futuro que pode oferecer dificuldades e desafios além dos que quaisquer seres humanos já experimentaram anteriormente. Podemos ter nisto, pelo menos, alguma esperança", projeta o presidente do WWI.

Limites planetários

Já a professora do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade de Oxford, Kate Raworth, destaca no documento que o bem-estar humano depende de mantermos o uso total de recursos abaixo das fronteiras críticas.

"Mas ele depende igualmente do direito de cada pessoa aos recursos de que necessita para levar uma vida digna e com oportunidades", pondera a também pesquisadora-sênior na Oxfam. Ela lembra que a maior fonte de pressão sobre os limites planetários são os níveis excessivos de consumo dos 10% mais ricos da população mundial, que controlam 57% da renda do planeta. "Somente 11% da população global geram aproximadamente metade das emissões de CO2", acrescenta.

Entre os palestrantes brasileiros que comentaram as conclusões do relatório no teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, estão Eduardo Athayde, diretor do WWI-Brasil e colunista do EcoD, Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, Ricardo Abramovay, autor do livro Muito Além da Economia Verde e Ricardo Voltolini, criador da Plataforma de Liderança Sustentável.

O economista Pavan Sukhdev, por sua vez, defende que as corporações possam de fato competir à base de inovação, conservação de recursos e satisfação das demandas de múltiplos públicos de interesse - em vez de na base de quem melhor consegue influenciar a regulação governamental, evitar impostos e obter subsídios para atividades nocivas, otimizando o retorno aos acionistas. "Este novo modelo pode ser chamado Corporação 2020, porque o ritmo em que nos aproximamos dos limites planetários sugere que 2020 é a data na qual este modelo precisará estar funcionando, para que não ultrapassemos os limites", alerta.
Eco Desenvolvimento

Eclipse solar poderá ser visto no Norte e Nordeste neste domingo

No extremo Norte, a cobertura será de 30% do Sol.
Será o último eclipse deste ano.

Do G1, em São Paulo

Eclipse solar parcial visto da Índia (Foto: PAL PILLAI / AFP)Eclipse solar parcial visto da Índia (Foto: PAL PILLAI / AFP)

Neste domingo (3) ocorrerá o último eclipse de 2013. Será um eclipse solar híbrido, fenômeno raro que tem diferentes “formas”, dependendo do ponto de observação na Terra. No Norte e Nordeste do Brasil, será possível ver um eclipse parcial.
No extremo Norte, como no Amapá e no Rio Grande do Norte, a cobertura será de 30%. Em outros pontos desta região e da região Nordeste será de 20% ou de 10%. O horário de observação do máximo do eclipse no Brasil depende da posição em que estiver o observador, podendo variar entre 9h10 e 10h do horário de Brasília (veja um mapa com os horários).
Em outras regiões do planeta, observadores poderão ver eclipse total, com o Sol completamente coberto pela Lua, ou eclipse anular, em que o Sol é coberto pela Lua, mas seu contorno continua descoberto.
Segundo o astrônomo Cássio Barbosa, “com eclipse ou sem eclipse, nunca se deve olhar diretamente para o Sol, mesmo com radiografias ou vidros enfumaçados. Pode-se usar vidros de soldador, ou uma técnica bacana usando uma fresta de luz. Faça um furinho em uma folha de papel e você poderá ver a imagem do Sol eclipsado projetada no chão”
.

NOVA FORÇA: Consumidor tem mais poder na era digital

 Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana:
Capa - Edição 806 (home) (Foto: ÉPOCA)

Quer brincar de arqueólogo? Basta ler artigos sobre reclamações de consumidores ao longo das últimas décadas. Embora a publicidade paga tenha nascido no século XIX e o marketing no início do século XX, só a partir dos anos 1960 as empresas passaram a tentar aplicar alguma ciência ao tratamento individual de cada freguês. Elas passaram a estudar o tema por causa da onda anticonsumismo que percorreu os Estados Unidos, no embalo do movimento hippie. Naquela época, o cliente que quisesse falar com a empresa tinha de obedecer a regras criadas por ela. À medida que ganhavam força os embates por direitos de mulheres, negros, gays e outros grupos organizados, consumidores passaram a querer outro tipo de tratamento. O cidadão desejava que as empresas o ajudassem a ter “água pura, ar puro, proteção ao consumidor, produtos seguros e controle ambiental” e rejeitava a “entediante mesmice” dos produtos, nas palavras de Margaret Graham, professora de administração na Universidade McGill, nos Estados Unidos, e uma das autoras de A origem das corporações.

À medida que nos embrenhamos na caverna escura da pré-história do direito do consumidor, encontramos alguns sinais das mudanças que estavam por vir. Aproxime sua lanterna e leia algumas delas. Em 1970, alguns manuais de gestão ensinavam que um perigo para a empresa era não aprender nada com reclamações, já que o cliente insatisfeito poderia sofrer em silêncio por um tempo e, subitamente, trocar a empresa por uma concorrente. Em 1981, receber poucas reclamações era visto como um sinal ambíguo: podia mostrar que o produto satisfaz. Ou o contrário: que os clientes estão tão irritados que nem se incomodam em se expressar para tentar melhorar a empresa. Na década seguinte, surgiam pequenos sinais de mudança: consumidores insatisfeitos eram encorajados a comunicar suas reclamações aos representantes da companhia por telefone. Os consumidores ganhavam voz, e as empresas começavam a se aproveitar das sugestões para aprimorar seus serviços. Mesmo com a difusão dos computadores pessoais e da internet naquele período, os homens das cavernas no mundo do atendimento ao cliente não percebiam o asteroide que vinha em sua direção.



EDUCADORA Priscila Derra usou o site ReclameAqui e resolveu um problema. Ao agir, ela orientou uma empresa sobre como melhorar (Foto: Rogério Cassimiro/Berlim/ÉPOCA)
Hoje, a bomba caiu. O cidadão que se sente prejudicado ao receber um serviço ou produto não hesita em se manifestar. E ele faz isso, muitas vezes, com estardalhaço. Ignora os representantes designados pela companhia e os canais de comunicação criados por ela. Prefere reclamar de uma vez para o mundo inteiro. Usa sites especializados e redes sociais. Sua voz abala mesmo as maiores empresas. O impacto desse novo poder do consumidor para destruir reputações está revolucionando o modo como as empresas lidam com seu público.
Basta ver o caso de Priscila Derra, treinadora de vendedores e apreciadora de cinema. Numa segunda-feira de outubro, ela comprou entradas para a quarta-feira seguinte, para o filme Gravidade, por meio do site Ingresso.com. Ao imprimi-las, percebeu o engano: comprara ingressos para o mesmo dia. “Tentei falar com eles antes que chegasse o horário da sessão, mas no site não há telefone de contato para tratar de entradas para cinema”, diz Priscila. “Mandei um e-mail e esperei resposta. Passou a segunda, a terça, a quarta, e nada. Só quando publiquei o problema no site ReclameAqui eles responderam. Devolveram o dinheiro pelo cartão de crédito.” Priscila voltou a comprar os ingressos e assistiu ao filme. Ela deu dicas preciosas sobre um tipo de problema que a empresa não previra e como lidar com ele.


Priscila também fornece um exemplo do novo poder do consumidor que sabe usar as ferramentas digitais à disposição. Estão nessa caixa de ferramentas redes como o Twitter e o Facebook e sites especializados, como o ReclameAqui, caso mais impressionante dos últimos tempos. O site foi criado em 2001 por Maurício Vargas, então um dono de livraria irritado com o serviço de uma companhia aérea. No primeiro ano de funcionamento, cadastraram-se 1.023 consumidores. Eles registraram juntos 23 queixas. Talvez o mesmo que se ouviria em três ou quatro conversas de bar. Neste ano, o serviço aproxima-se de 9 milhões o número de usuários registrados e de 5 milhões o total de reclamações. Ao longo da jornada de 12 anos, Vargas, que estudou arquitetura, tornou-se um conhecedor das relações do consumidor com as empresas. “Antes, as equipes de atendimento tinham status menor, equipamento mais velho. Eram vistas só como custo para a companhia”, diz. “Hoje, existe diretor de atendimento, marketing de atendimento, e essa área tem acesso aos altos executivos e ao presidente da companhia.”

>> Continua lendo esta reportagem em ÉPOCA desta semana

RIO DE JANEIRO: Crise de Eike põe em risco Hotel Glória

CÉLIA COSTA (EMAIL)
Publicado:

O Hotel Glória, uma das vitirnes de Eike, está com as obras paradas -
Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo
O Hotel Glória, uma das vitirnes de Eike, está com as obras paradas - Fábio Rossi / Agência O Globo
RIO - Parceiro cobiçado pela iniciativa privada e também pelo poder público, o empresário Eike Batista fez com que seus sócios fossem da euforia à decepção em pouco mais de um ano e meio. Com o ocaso do ex-bilionário, agravado com o pedido de recuperação judicial da OGX, projetos na cidade orçados em cerca de R$ 700 milhões estão cercados de dúvidas. O empresário, que sempre declarou seu amor incondicional ao Rio, assinou convênios para importantes empreendimentos, inclusive de apoio à área da segurança, e, com a crise, se desfez deles.
Entre os projetos abandonados estão a revitalização da Marina da Glória e o novo Hotel Glória, além da ajuda financeira às UPPs. O programa de despoluição da Lagoa — parceria entre Cedae, Secretaria municipal de Meio Ambiente e EBX, que reúne todas as empresas de Eike — também foi deixado de lado. A Cedae informou que a sua parte, que incluía a utilização de um robô-espião para monitorar a rede pluvial e a construção do centro de controle operacional de elevatórias no Leblon, foi concluída. Já o convênio com a Secretaria de Meio Ambiente foi rescindido. O órgão não quis comentar o assunto e disse que apenas a EBX poderia se pronunciar sobre o caso. A empresa, por sua vez, informou que, por enquanto, não falaria sobre os projetos abandonados.
O programa das UPPs, um dos mais importantes na área da segurança do Rio, também sofreu um impacto com o ocaso de Eike. Convênios, assinados em 2010, garantiam investimentos de R$ 20 milhões por ano para as ações da Coordenadoria de Polícia Pacificadora. Em agosto deste ano, no entanto, a OGX rescindiu o convênio com a Secretaria de Segurança. Um dos efeitos imediatos foi a paralisação das obras de construção da base da UPP do Batan, em Realengo. O prédio, que ainda está no esqueleto, já começa a enfrentar problemas de deterioração.
Segundo a Secretaria de Segurança, o convênio com a OGX previa investimentos em infraestrutura e logística (sedes, bases comunitárias e equipamentos, entre outros) das UPPs. Ainda de acordo com o órgão, a obra da UPP no Batan será retomada, mas o prazo não foi informado. A secretaria e a RioUrbe estão fazendo um levantamento dos serviços que serão realizados. Em 2014, a ideia é acrescentar os projetos ao planejamento orçamentário do estado.
Considerada um dos programas mais ambiciosos de Eike, a revitalização da Marina da Glória causou polêmica desde o início. Orçado em R$ 200 milhões, o projeto previa integrar ainda mais o local ao Parque do Flamengo, além da construção de lojas e de um centro de eventos. Em junho deste ano, no entanto, o juiz federal Wagner de Almeida Pinto obrigou a empresa a desfazer o alargamento do píer e a remover a cisterna e as estacas fincadas no espelho d’água, liberando o acesso público ao mar. Na decisão, o juiz entendeu que as obras restringem o uso do espaço. De lá para cá, nada foi feito.
Iate Pink Fleet vai virar sucata
Um dos barcos que ficavam ancorados na Marina era o Pink Fleet, que custou US$ 19 milhões (R$ 42,6 milhões) e era um dos símbolos do auge do empresário, que chegou a ser citado como o sétimo homem mais rico do mundo. Para se livrar dos custos de manutenção, estimados em R$ 300 mil mensais, além de outra dívidas, Eike chegou a oferecer o iate à Marinha, que não se interessou. Sem conseguir passar adiante a luxuosa embarcação, o empresário o enviou para o Estaleiro Cassinu, em São Gonçalo, para virar sucata.
O novo Hotel Glória é outro ousado projeto do ex-bilionário. Propriedade da REX, braço imobiliário da EBX, ele agora está sendo negociado com a companhia suíça Acron. Deveria entrar em operação na Copa de 2014. No entanto, a conclusão das obras está prevista apenas para o quarto trimestre de 2015.
Outro projeto que todos temem que seja abandonado é a transformação em hotel do Edifício Hilton Santos, um prédio de 24 andares e 148 apartamentos junto ao Morro da Viúva, no Flamengo. O imóvel, que era propriedade do Clube de Regatas do Flamengo, foi vendido à empresa REX em janeiro de 2012. A proposta era fazer, ao custo de R$ 90 milhões, um hotel que estaria em funcionamento até as Olimpíadas de 2016. Hoje, o edifício está vazio. Nas áreas externas, o mato cresce. E nada está definido.
O vice-presidente de Patrimônio do Flamengo, Alexandre Wrobel, disse que está marcada uma reunião com a REX na próxima quarta-feira, para discutir os rumos do projeto. Segundo ele, o clube já recebeu o valor integral pela venda. Na negociação, feita ainda na gestão de Patricia Amorim, ficou acertado ainda que o Flamengo teria abatida uma dívida de aproximadamente R$ 16 milhões em impostos e o direito de utilizar 20 quartos do hotel.
Obras do Porto do Açu em dúvida
Localizada no Norte Fluminense, a cidade de São João da Barra, que tem 35 mil habitantes, vive momentos de incerteza. O secretário de Fazenda do município, Ranulfo Vidigal Ribeiro, recorda os momentos de euforia com o projeto do Superporto do Açu, anunciado em 2006 pela EBX. A decepção, segundo ele, começou em 2010, quando empresas como a siderúrgica chinesa Wisco e outras desistiram do empreendimento. A crise, no entanto, só se tornou realidade em 2011.
— A cidade se preparou para isso e fez investimentos. O porto gerou dez mil empregos. Também gerou renda em vários setores, como a construção civil e o comércio. No entanto, do segundo semestre do ano passado até agora, já perdemos aproximadamente três mil empregos, sendo 1.500 formais — explicou o secretário de Fazenda.
Em 2011, quando o trabalho no porto ainda era intenso, o município chegou a ocupar a 18ª posição no ranking de emprego e renda da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Hoje, está no 34º lugar.
O orçamento do município também foi prejudicado. Segundo Ranulfo Vidigal Ribeiro, a previsão para 2014 era de R$ 411 milhões, mas agora não deve chegar a R$ 360 milhões. De acordo com ele, o momento é de expectativa com o grupo americano EIG Global Energy Partners, que adquiriu o Porto do Açu e prevê que o empreendimento fique pronto em 2015.
— Esperamos que, a partir do primeiro trimestre de 2014, haja um reaquecimento e tenhamos de volta os empregos perdidos. A nova empresa já designou até um gerente — disse o secretário de São João da Barra.
Outras iniciativas do ex-bilionário
Lagoa Rodrigo de Freitas. A parceria do grupo EBX com a Cedae e a Secretaria municipal de Meio Ambiente para despoluir a Lagoa foi abandonada no fim do ano passado. A empresa de Eike investiu R$ 23 milhões dos R$ 30 milhões previstos.
Pink Fleet. A empresa de Eike investiu R$ 35 milhões na reforma do iate, que chegou a fazer passeios e festas pela Baía em 2008. A embarcação está num estaleiro em São Gonçalo para virar sucata.
Terra Encantada. No ano passado, uma das empresas X anunciou que havia comprado o terreno de 700 mil metros quadrados na Barra, onde o parque havia funcionado. O projeto era erguer um bairro planejado. A compra sequer foi concretizada.
Maracanã. O empresário continua com sua pequena fatia de 5% no consórcio.
RJX. O time de vôlei foi criado em 2011 com patrocínio integral do empresário, que agora tem apenas uma parcela.
Hospital Pro Criança. O empresário doou R$ 30 milhões, em 2011, para a conclusão da unidade.
Porto Vida. A REX tem uma participação no projeto do condomínio residencial na Região Portuária, com 1.333 unidades. A prefeitura informou que a obra está no prazo.
NDX Day Hospital. O projeto da unidade de saúde na Barra, que em 2006 estava orçado em R$ 55 milhões, não foi adiante. Hoje, no prédio, funcionam alguns consultórios médicos.
Beaux. A clínica de estética, de Flávia Sampaio, mulher de Eike, fechou no ano passado. O investimento, de R$ 20 milhões, com aparelhagem de ponta, dava prejuízo mensal de R$ 300 mil


em http://oglobo.globo.com/rio/crise-coloca-em-risco-investimentos-de-eike-para-cidade-10666595#ixzz2jUIHEMsa 
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